Como vender ou avaliar moedas

 

É comum encontrarmos em nossas casas ou na casa de parentes uma caixinha, pote ou vaso cheio de moedas antigas. É tradição guardar moedas velhas, que perderam o valor na esperança de que algum dia elas voltem a ter valor como “raridade”. O fato é que em 99,9% dos casos essas moedas não têm e nunca terão qualquer valor importante para colecionadores ou estudiosos. E porque moedas essas moedas antigas, muitas vezes com mais de 100 anos não tem valor? Porque iguais as moedas encontradas “na caixinha da vovó”, existem milhares, milhões de “caixinhas” com as mesmas moedas espalhadas pelos lares brasileiros. E por isso, pela imensa quantidade de “oferta” destas moedas, elas não têm valor para o reduzido número de colecionadores em nosso país.
 
Vamos, porém tratar de casos concretos, para que você que está curioso em saber se sua moeda tem valor, possa tirar suas dúvidas. Podemos dividir moedas de duas formas, por sua época (ou data), e por seu metal (ouro, prata, cobre, bronze, cupro-níquel, aço-inox, etc.). Na primeira categoria, podemos fazer a seguinte divisão:

 

1. Moedas posteriores a 1850 (com data de 1850 até o presente)
2. Moedas anteriores a 1850 (datadas de 1695 a 1849)

 

1. Moedas posteriores a 1850:

Nesta subdivisão está a grande maioria das moedas que se encontram nos lares brasileiros ou “herdadas dos avós”. Com pouquíssimas exceções, não possuem nenhum valor importante. 
 
Listo abaixo algumas moedas que se encontram nesta categoria e não tem qualquer valor:
 
• Moedas de níquel (ou cupro-níquel) 100, 200, 300 e 400 Réis datadas de 1871 a 1935.
• Moedas de Bronze de 20 (vintém) e 40 Réis datadas de 1869 a 1915.
• Moedas “Amarelas” da década de 30 até 1965 com valores variados de 500, 1000 e 2000 Réis e posteriormente de 10, 20, 50 centavos e 1, 2, 5 Cruzeiros.
• Moedas de aço-inox de 1967 em diante.
 

Moedas posteriores a 1850 que têm valor:

• Qualquer moeda de ouro. Na maioria dos casos, inclusive quase toda coleção de ouro do 2º Império (de 1850 em diante), as moedas valem apenas o valor intrínseco do metal. Ou seja, uma moeda de 20 mil Réis de ouro de D. Pedro II data de 1851 a 1867 vale apenas o que pesa, nesse caso 16,4 gramas de ouro fino multiplicado pelo valor do ouro do dia (atualmente em Julho de 2006, esse valor está em cerca de R$41, porém esta cotação flutua diariamente).
 
• Moedas de prata. Assim como as moedas de ouro, com pouquíssimas exceções, moedas de prata desta época “valem quanto pesam”. Estão incluídas nesta categoria as seguintes moedas:
     
- Moedas de 200, 500, 1000, e 2000 Réis do Império com datas entre 1849 e 1889. 
- Moedas de 500, 1000, 2000, e 5000 Réis da República datadas entre 1889 e 1936.
 
Exemplifico como avaliar, por exemplo, um 5000 Réis da República do tipo “Santos Dumont” de 1935. Essa moeda tem 6 gramas de prata fino ( 12 gramas bruto de prata .500). A título deste exemplo tomamos o valor da prata ATUAL no mercado nacional de cerca de R$ 400/quilo. .06 x R$400 = R$2,40. Ou seja, cada moeda de 5000 Réis de 1935 vale cerca de R$2,40. E assim pode ser feito para qualquer moeda desta época contanto que se saiba o peso da moeda e o valor da prata.
 

2. Moedas anteriores a 1850

Moedas de 1695 a 1850 têm maior chance de ter algum valor para colecionadores e estudiosos. A razão disso é que nesta época, a cunhagem (fabricação) de moedas no Brasil era ainda relativamente pequena e por isso existem poucas moedas. Porém como veremos abaixo existem moedas desta época sem valor:
 
• Qualquer moeda de cobre após 1800 tem muito pouco valor mesmo que estejam em bom estado de conservação. Um 10 (X) de 1805 ou um 80 Réis com carimbo de 40 de 1830R não chegam a valer R$ 5,00.
 
• Moedas de Cobre anteriores a 1800, precisam estar em excelente estado de conservação para terem algum valor importante (acima de R$20). A moeda deve ter pouquíssima circulação, todos relevos e características devem estar evidentes.
 
• Moedas de Prata de 1695 a 1849 que estejam gastas ou muito gastas tem baixo valor acima do valor intrínseco do metal, assim como as moedas de prata posteriores a 1850.
 

Moedas anteriores a 1850 que têm valor:

• Novamente Moedas de Ouro. Para que tenham prêmio acima do valor do metal, as moedas devem estar em estado de conservação superior (veja meu outro artigo sobre estado de conservação das moedas). Aqui o prêmio pode variar de uma pequena fração até muitas vezes o valor do ouro da peça (dependerá dos dois fatores determinantes no valor numismático de uma moeda: Raridade e beleza). Exemplos de moedas nesta categoria estão os 2000, 4000 e 6400 Réis da colônia e Reino Unido. As dobras, meio-dobrões e dobrões (12800. 10000 e 20000 Réis), entre outras.
 
• Moedas de Prata de 1695 a 1849. Somente terão valor aquelas peças em estado de conservação superior com todas as características presentes, sem furos, tentativas de furo, soldas, vestígios de garras, arranhões, ou outros danos. Incluem-se aqui moedas do 1º Sistema monetário Brasileiro (1695-1833) as chamadas divisionárias (ou patacas). Ex: 20, 40, 80, 160, 320, 640 e 960 Réis e também a Série de moedas do tipo “Jota” (D, José I) com valores de 75, 150, 300 e 600 Réis. Além dessas, as moedas do 2º Sistema Monetário Brasileiro (ou Série dos Cruzados) com valores de 100, 200, 400, 800 e 1200 Réis que circularam de 1834 a 1848. Vale dizer que um 640 Réis de 1695, por exemplo, dependendo de seu ESTADO DE CONSERVAÇÃO, pode valer R$30 ou R$200.
 
• Moedas de Cobre, principalmente de 1695 a 1750, que estejam em estado de conservação excepcional.
 
Moedas Estrangeiras seguem um caminho semelhante. Se a moeda for posterior a 1900 (com exceção das de ouro e poucas de prata) a chance de não ter valor nenhum é perto dos 100%. Essa regra serve para qualquer país. Dos mais próximos (como Argentina ou Uruguai), como os mais exóticos (como Botswana ou Ilhas Maurício).
 

Cédulas Brasileiras:

Para as cédulas a regra é bem mais simples até porque o número de cédulas existentes é muito menor que a quantidade e variedade de moedas. Postas em circulação em nosso país a partir do início do século XIX, somente foram usadas mais correntemente a partir de 1870. Podemos dividir a cédulas do Brasil e duas épocas (ou tipos). Tal divisão é pertinente para a determinação de valor das mesmas.
 

1. Cédulas de Cruzeiro (1942 – 1994):

Estão incluídas aqui todas as variações monetárias que tivemos, principalmente nas décadas de 80 e 90, assim como Cruzados, Cruzeiro Real, Cruzeiro Novo, etc. Com pouquíssimas exceções, nenhuma cédula deste tipo tem qualquer valor. Mesmo que estejam novas. Um bom exemplo é o 5 Cruzeiros da década de 60 que é freqüentemente encontrado em “pacotes” ou “tijolos” com 100 cédulas para a surpresa de leigos e curiosos. Essas centenas valem cerca de R$ 10 cada, ou seja, 10 centavos cada cédula.
 

2. Cédulas do Padrão Réis ou Mil-Réis (1833 – 1941)

Assim como moedas, cédulas deste tipo deverão estar em ótimo estado de conservação para terem algum valor importante. O papel deve ser firme, não podendo haver rasgos, ferrugem, restauros, amassos, ou quaisquer outros defeitos. Os valores faciais das cédulas vão de 500 Réis até 1 Conto de Réis (1.000.000 de Réis).
 

Para concluir: se você tem moedas antigas em casa, parta do princípio de que elas não têm valor. Pela minha experiência de muitos anos na numismática e experiência compartilhada de dezenas de companheiros, a chance de se ter um “tesouro” de moedas em casa sem sabê-lo é virtualmente zero! É possível sim, que você tenha algumas moedas de baixo ou médio valor e que somadas elas venham a dar uma quantia razoável, neste caso se houver partido da premissa acima, você poderá ter uma boa surpresa!

 

 

 

Fonte: http://www.sgnumismatica.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=56:como-vender-ou-avaliar-moedas&catid=48:curiosidades&Itemid=75

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