Como Tirar a Ferrugem dos Selos

por Sérgio Marques da Silva (SPP) 

 

Para retirarmos a ferrugem dos selos, precisamos de uma poção de Permanganato de Potássio, água e limão. Todo filatelista sempre tem algum selo com ferrugem, mesmo que não seja aquela ferrugem forte com aparência bem característica de cor alaranjada, avermelhada para marrom, mas além deste grau avançado do processo da ferrugem, sem percebermos temos em nossas coleções grande quantidade de selos já com início da contaminação de ferrugem. Devemos observar atentamente os selos no verso e constataremos que muitos deles já estão com manchas amareladas que se não cuidarmos a tempo elas após pouco tempo já terão definitivamente comprometido o papel. 

O Dr. Kazuo Kato e Dr. Alex Paulo Picanço em estudo chamado “A Ferrugem nos selos, uma telemicose” , dizem e comprovam que o elemento que provoca a ferrugem nos selos não é o ferro e sim um fungo que ataca qualquer tipo de papel. É o melhor estudo que conheço sobre ferrugem nos selos, escrito na década de 70. ( Na Biblioteca da SPP tem este estudo aos interessados) O método que conheço, de retirar a ferrugem dos selos realmente retira a ferrugem e conserva o selo por muito mais tempo, imune a mesma, mas a marca invisível que a ferrugem já causou no papel permanece para sempre, é irreversível, mas só pode ser vista se molharmos o selo com água ou benzina, aí então ela aparece enquanto o selo estiver molhado, depois ficará novamente invisível. Para evitar este estágio do processo da ferrugem deve-se limpar o selo logo que as manchas amareladas estão começando a aparecer. 

1)- Em primeiro lugar colocamos uma poção de Permanganato de Potássio em um recipiente de vidro ou plástico, com aproximadamente um litro de água. A quantidade de Permanganato de Potássio pode ser correspondente a uma colher pequena de café, não muito cheia, isto se o Permanganato for em pó, ou podemos comprar na farmácia em cartelas com pequenos comprimidos, colocando apenas um para cada litro de água. 

2)- Em seguida molhamos os selos na água limpa e colocamos no recipiente preparado com Permanganato e deixamos que a solução atue por 3 ou 4 minutos. 

3)- Depois, retiramos os selos que estarão com a aparência escurecida pela ação do Permanganato, lavamos em água limpa e colocamos em outro recipiente já preparado com meio litro de água e o sumo de meio limão espremido (ácido cítrico) e deixamos atuar por mais 3 ou 4 minutos. 

4)- Após este período de tempo os selos já voltaram a apresentar a sua cor natural, pois a mistura de água com limão já retirou aquela cor amarelada deixada pelo Permanganato. Agora lavamos novamente os selos em água limpa e deixamos secar sobre folhas de jornal ou papel guardanapo ou papel de rolo de parede. 

Devemos tomar todo o cuidado ao manusearmos os selos enquanto eles estiverem molhados, pois estarão muito frágeis nesta condição. Quando os selos estiverem quase que totalmente secos, colocamos os mesmos dentro de livros ou listas telefônicas, para que sequem finalmente prensados entre as folhas e fiquem bem lisos e com boa aparência. 

Devemos tomar o cuidado de marcar as folhas em que colocarmos os selos pois muitas vezes não conseguimos encontrá-los depois. Outro cuidado que deveremos tomar quando utilizarmos o processo de limpeza da ferrugem: Não colocar em imersão os envelopes que estiverem escritos com tintas a base de água, que era comum antes do aparecimento das canetas esferográficas, bem como não a limpeza de selos azuis ou rosa, selos estes de 1850 a 1900, pois até então as cores eram propositadamente feitas para perderem a coloração caso fossem lavados com a intenção de reaproveitamento dos selos. Após este trabalho, teremos nossos selos novamente com características de selos perfeitos. 

Existem outros métodos rápidos utilizando pequena quantidade de água sanitária ou qualquer outro similar diluído com água, ou utilizando líquido de Daquin, encontrado a venda nas farmácias, que ao ser passado sobre a ferrugem, esta desaparece consideravelmente, mas não estou acostumado a utilizar estes processos, porque após algum tempo a ferrugem reaparece ou deixa o papel amarelado. 

O filatelista cuidadoso deve sempre que adquirir selos de altos valores, colocá-los na benzina para verificar se os mesmos contém marcas de reparos ou algum tratamento químico, conseqüência da retirada de ferrugem, feito em alguma época anteriormente. Uma coisa é certa: Se não retirarmos a ferrugem dos selos, esta destruirá totalmente os selos e eles perderão o seu valor na sua totalidade. É melhor que o selo fique saneado, mesmo com sinais quase que imperceptíveis, do que perdê-lo totalmente. 

Para retirar a ferrugem de envelopes, o processo é o mesmo, mas devemos ter vasilhas maiores e conforme o caso as quantidades também têm que ser maiores, mas nas mesmas proporções descritas. Para evitar que o envelope se descomponha ou soltem os selos, podemos colocá-lo entre duas telas de nylon presas com clips, durante o processo de tratamento, somente retirando das telas quando os mesmos estiverem quase secos, aí então colocaremos os envelopes abertos ou fechados se for o caso, entre folhas absorventes, com pesos em cima para que fiquem bem prensados. Caso os selos se soltem, podem ser recolocados sobre as cartas, mas nunca utilizar cola bastão tipo Pritt ou semelhante, nem cola tipo tenaz, pois estas não soltam mais; devemos colar com colas vegetais tipo goma arábica ou mesmo fixar os selos com charneiras em caso de não achar a cola apropriada. 

O bom filatelista deve tomar alguns cuidados preventivos antes do aparecimento da ferrugem, para que a coleção se conserve por muito mais tempo. Devemos guardar nossas coleções em locais secos, arejados e longe do sol ou de seu calor. Periodicamente devemos folhear nossas coleções para não ficarem contaminadas com ácaros ou bolor, provocados por umidade, mas também não podemos guardar em locais totalmente secos e hermeticamente fechados, sem ar algum, pois os selos neste caso perderão o PH necessário na sua composição, ficando assim ressecados e quebradiços, quase que esfarelando, se auto decompondo após longo período de tempo. Talvez seja pior o efeito do ressecamento do papel do que o da umidade. 

Quando utilizarmos protetores plásticos tipo Havid, devemos tomar o cuidado de cortarmos um pouco maior, aproximadamente 3m/m maior do que os selos, para dar maior proteção aos selos, pois em diversas ocasiões em que parte dos selos ou picotes ficaram para fora do protetor, estas partes foram contaminadas com a ferrugem. Quando utilizarmos as charneiras para fixação dos selos, deveremos umidecê-las utilizando sempre um pano úmido e uma leve encostada da charneira neste pano bastará para que fique em posição de serem utilizados, o que não podemos fazer é usar a saliva para esta finalidade, pois a saliva tem ácidos que com o tempo danificam o selo. 

Não devemos folhear as coleções próximo de janelas em dias chuvosos, pois o ar estando úmido contribuirá com o aparecimento da ferrugem nos selos. Os selos são fabricados sobre o suporte papel, que não é eterno, podemos apenas aumentar ou diminuir a duração deles; portanto devemos tomar todas as providências para que permaneçam perfeitos o maior tempo possível. É comum escutarmos falar que nos papéis antigos era comum o aparecimento da ferrugem, que os papéis e gomas atuais são melhores, mas constantemente vemos selos de períodos recentes já com marcas de amarelamento, que é o início do processo da ferrugem. Devemos verificar bem aquilo que adquirimos, pois selos com ferrugem podem contaminar nossas coleções, álbuns ou classificadores. 

 

Fonte: http://www.clubefilatelicodobrasil.com.br/artigos/atecnicos/ferrugem2.htm

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